Semana Roberto Pires na TVE

10/10/2014 13:42:49

alt

A TVE Bahia exibe, de 13 a 22 de outubro, sempre de segunda a quinta-feira, às 23h30, a Semana Roberto Pires, homenagem ao cineasta baiano pioneiro em longa-metragens no estado. Irão ao ar sete filmes do autor : Redenção; A Grande Feira; Tocaia no Asfalto; Máscara de Traição; Abrigo Nuclear; Césio 137; e Os Filmes que eu Não Fiz. Considerado não apenas um profundo conhecedor da linguagem cinematográfica, que trafegou entre gêneros com absoluto domínio de técnica e de estilo, mas um artesão dedicado a filmar com requinte e condições cenográficas planejadas para estúdio e locações arrojadas, Roberto Pires deu ao cinema nacional o primeiro sucesso made in Bahia: A Grande Feira.

Para o diretor-geral do IRDEB, o também cineasta José Araripe Jr., a curadoria desta mostra de filmes é um luxo que toda emissora brasileira gostaria realizar. E é através das cópias novas dos filmes que a TVE realiza a Semana Roberto Pires. “É com imensa honra que trazemos  às telas da nossa emissora pública,  um legado da nossa cinematografia, agora ao alcance de todos. É hora das novas gerações conhecerem este criativo e inovador cineasta, que  não apenas fez filmes culturais, de ação,  mas inventou lentes revolucionárias nos anos 50,  e aqui mesmo na Bahia realizou uma obra de ficção científica”, afirma Araripe, que considera o Roberto Pires um fabulador de filmes de ação e aventura, um cronista de seu tempo. “Seus filmes emanam baianidade em temas e locações, em linguajar e imaginário, em conflitos que perpassam as classes sociais, sempre sinalizando para a sociedade em transformação”, conclui o diretor do IRDEB.

Sobre Roberto Pires - Quando começou a trabalhar com cinema, Roberto Pires fez parte de um grupo de jovens artistas, no qual Glauber Rocha também estava presente. A admiração pelo talento de Roberto era tamanha, que Glauber afirmou que “se o cinema na Bahia não existisse, Roberto Pires o teria inventado”. Os filmes de Roberto envolvem ação e aventura, mas também falam sobre a Bahia e suas peculiaridades culturais. E foi através de seus filmes, uma geração de atores baianos alçou vôos maiores participando dos principais movimentos locais e nacionais, do cinema e do teatro.

Roberto Pires faleceu em 2001, aos 67 anos, deixando um legado de 13 filmes dirigidos e quatro longas produzidas por ele. Sua importância para o Cinema Novo vai muito além do fato dele ter sido pioneiro em longa-metragem na Bahia, ter colocado em prática para o “fazer cinema”, em um lugar que a cinematografia não era tradição, mas mudou a forma como as pessoas da década de 50 viam o cinema.


Programação da Semana Roberto Pires :

13.10, Redenção - Um psicopata estuprador é contido por dois jovens fazendeiros, um dos quais está envolvido com a polícia e que, ao proteger uma jovem ameaçada, encontra a “redenção”.

14.10, A Grande Feira - Uma empresa imobiliária ameaça de despejo os feirantes de Água de Meninos, em Salvador, que se organizam para resistir. Um marinheiro se vê envolvido nessa luta e se divide entre o amor de Maria da Feira, uma mulher que mora na feira, e de Ely, moça da alta sociedade. 

15.10, Tocaia no Asfalto - A história de um jovem político idealista de Salvador é narrada em paralelo à de um matador que chega do interior com a missão de eliminá-lo. O coronelismo, a violência e a política da época são temas centrais do filme.

16.10, Máscara de Traição - Casal de amantes tenta roubar a renda de um grande jogo de futebol no estádio do Maracanã. Tudo vai bem, mas um terrível desfecho aguarda os ousados vigaristas.

20.10, Abrigo Nuclear - Aborda todo o ciclo nuclear, os riscos da radioatividade, especialmente sobre a exploração, mineração e o processamento de materiais radioativos.

21.10, Césio 137 - Conta a história de Vavá e seu amigo, que juntos descobrem uma peça de chumbo nas ruínas de um antigo hospital. A peça encontrada trata-se de um material radioativo.

22.10, Os Filmes que eu Não Fiz - O documentário traz Alexandre Robatto circulando pela cidade de Salvador, visitando locais em que filmou. E, através de poesias, depoimentos, trechos dos seus filmes e de sua própria fala, apresenta-se esta grande homenagem ao pioneiro dos filmes realizados e também daqueles que o cineasta não fez.