III Fórum do Pensamento Crítico

21/03/2014 20:43:39


altAutoritarismo e Democracia no Brasil e na Bahia 1964-2014: 50 anos do Golpe Civil-Militar de 1964 e 30 anos das Diretas Já. Este serão os temas que nortearão o III Fórum do Pensamento Crítico, que acontece de 24 a 28 de março, no Teatro Castro Alves. O evento começa dia 24, às 19h, e prosegue entre os dias 25 e 28, das 9h às 18h, com cobertura, ao vivo, do Portal do IRDEB. Veja programação abaixo.

O III Fórum do Pensamento Crítico pretende se debruçar – criticamente, por óbvio – sobre o tema autoritarismo e democracia, como campo de força e de disputa, que reúne memória e contemporaneidade, que olha o passado para pensar e atuar no presente e para imaginar futuros possíveis. O Fórum busca reavivar nossa memória dos autoritarismos, que marcam drasticamente a história do Brasil e da Bahia e muitas vezes ainda persistem de modo expresso ou camuflado, e relembrar a todo instante o vital compromisso de enfrentar e superar todos eles. Ele busca, em sintonia fina de memória e atualidade, colocar na cena e no debate público temas essenciais para a superação de todas as modalidades de autoritarismos e para o  aprofundamento da democracia na contemporaneidade. O III Fórum do Pensamento Crítico entende a democracia como um processo vivo, sempre em atualização e atento aos perigos do  autoritarismo.

Reflexão sobre autoritarismo e democracia

O ano de 2014 será emblemático para uma reflexão sobre autoritarismo e democracia no Brasil e na Bahia. Em 2014, os 50 anos do Golpe Civil-Militar de 1964 devem servir como memória viva para que ditaduras e autoritarismos não sejam mais possíveis no presente e no futuro da sociedade, em especial da brasileira e baiana. Em 2014, os 30 anos da campanha das  Diretas Já devem ser comemorados como momento catalisador e exemplar de luta pela democracia no país e no estado e como inspiração para novas lutas democráticas imprescindíveis na atualidade.

A ditadura civil-militar marca profundamente a história e mesmo o presente da sociedade brasileira e baiana. Ela interditou a realização das “reformas de base” (urbana, agrária, universitária etc.) e bloqueou naqueles anos a possibilidade da construção no Brasil e na Bahia de uma sociedade mais justa, democrática e livre, que incorporasse toda população em sua dinâmica societária. Em lugar disto, ela impôs uma “modernização conservadora” com um modelo de desenvolvimento altamente concentrador, desigual e excludente, alicerçado no arrocho salarial; na restrição às liberdades; no apoio e controle rigoroso da mídia; na censura às opiniões diferentes e às manifestações culturais divergentes; na perseguição, repressão, tortura e assassinato de todos aqueles que fossem considerados adversários da ditadura. Ela marcou profundamente o passado, ainda marca o presente e talvez o futuro da sociedade brasileira e baiana.

A campanha das Diretas Já pode ser considerada como momento emblemático da luta pela democracia no Brasil e na Bahia. Ela de algum modo sintetiza as muitas e variadas modalidades de luta que foram empreendidas contra a ditadura civil-militar. Ela possibilita a transição do autoritarismo para a democracia, com suas virtudes e limitações. O movimento das Diretas Já, ainda que derrotado em 1984 no seu intento maior de eleição direta do presidente do Brasil, expressara o desejo da sociedade brasileira e baiana de construção da democracia e de derrubar a ditadura.O processo de construção da democracia no Brasil e na Bahia tem se mostrado bastante complexo. O modo específico da transição do autoritarismo para a democracia no Brasil e na  Bahia, uma transição pelo alto no dizer de alguns autores, impacta profundamente no processo de construção da democracia. Ele articula de modo desigual e combinado: avanços e retrocessos, mudanças e persistências, possibilidades e limitações, aliados e adversários. Por conseguinte, ele permite modalidades bem distintas de pensar e de realizar a democracia.

Os movimentos acontecidos em junho de 2013, com todas as suas ambiguidades, contradições e tentativas de manipulação, expressam a tensão entre alternativas possíveis de democracia: algumas meramente formais outras substantivas; algumas somente representativas outras incorporando com novos formatos de participação. Os movimentos atualizam e colocam em cena a discussão sobre o presente e o futuro da democracia. As ruas trazem para o cenário púbico e recolocam em disputa estas distintas e muitas vezes antagônicas concepções de democracia.


Programação


Dia 24 (segunda - feira )


19h
Mesa 1. O que possibilitou o autoritarismo (golpe civil/militar) em 1964 no Brasil?

Ditadura militar no Brasil: o golpe de 1964 em debate.
O golpe desferido contra o poder constituído, que derrubou o presidente da República, João
Goulart, foi apoiado por expressivos setores da classe média urbana e lideranças políticas civis
que auxiliaram na deflagração do movimento, o que caracteriza o golpe como civil-militar, que
mergulhou o Brasil, ao passo de atos institucionais, em um regime autoritário e extremamente
repressivo, mas o que possibilitou o autoritarismo em 1964 no Brasil?

Palestrantes:
Waldir Pires
Paulo Abrão
Clodomir Moraes
Juarez Guimarães
Eliana Rolemberg

Dia 25 (terça – feira )

9h-12h
Mesa 2. Como a ditadura civil/militar redesenhou o Brasil e quais suas repercussões no futuro do
Brasil?

O Brasil (re)definido: Impactos e consequências do golpe civil-militar.
O golpe de 1964 permitiu que os militares ocupassem a presidência da República por 21 anos.
Nestes, censura, cassações, prisões e tortura foram utilizados de forma rotineira contra
pessoas que desenvolveram atividade de oposição ao regime político instaurado, significando
o arquivamento das propostas nacionalistas de desenvolvimento, por meio das reformas de
base e atravancando os caminhos para a democracia.

Palestrantes:
Maria do Rosário (a confirmar)
Muniz Ferreira
Paul Singer
Franklin Martins
Nilmário Miranda

14h-18h
Mesa 3. Como a ditadura civil/militar redesenhou a Bahia e quais suas repercussões no futuro da
Bahia?

(Re)configuração de uma Bahia militarizada: os efeitos do autoritarismo.
Transformações na dinâmica do poder no estado da Bahia foram aceleradas pelo golpe de
1964, que representou, no plano local, a derrota de praticas políticas iniciadas pelo entãogovernador Lomanto Júnior. O autoritarismo atraiu o apoio dos segmentos mais
conservadores e antidemocráticos da sociedade civil, mas terminou por mobilizar as ações dos
setores democráticos, progressistas e reformadores da sociedade brasileira e baiana que se
fizeram presente em movimentos contestatórios, inserindo a Bahia no mapa da resistência
antiditatorial.

Palestrantes:
Haroldo Lima
José Sérgio Gabrielli
Joviniano Neto
Ana Fernandes
João Carlos Salles

19h -21h
79o Caravana da Anistia
A Caravana da Anistia visa sensibilizar para o tema e que se apropria da história
brasileira através dos relatos de quem lutou pela democracia. A Caravana que já percorreu
mais de 20 estados brasileiros e Distrito Federal, apreciando e publicando mais de mil
processos, atingindo um público de mais de 20 mil pessoas. São realizadas em parcerias com a
sociedade civil e com órgãos dos poderes legislativo, executivo e judiciário, percorrem as
localidades do Brasil, onde ocorreram perseguições políticas a fim de garantir ampla
participação da sociedade civil aos atos reparatórios oficiais.


Dia 26 (quarta-feira)

9h-12h
Mesa 4. Quais as heranças culturais e comunicacionais da ditadura civil/militar no Brasil?

Afasta de mim esse cale-se: as herança da ditadura na cultura e comunicação
brasileira.
O cerceamento da liberdade de expressão influenciou a produção da cultura e comunicação no
Brasil, na medida em que a censura institucionalizada gerada pelo AI-5 obrigou todo filme,
música, programas televisivos e de rádio, livros e jornais a serem avaliados por agentes
autorizados antes de se tornarem público. Para escapar a vigilância, artistas e jornalistas se
utilizavam de recursos estilísticos para exprimir e difundir suas idéias, mascarando seu
significado, tornando-o inteligível a poucos.

Palestrantes:
Ana Arruda Callado
Venício Artur de Lima
Geraldo Sarno
Juca Ferreira
Zezeu Ribeiro
Ana Guedes

14h – 18h
Mesa 5. Quais as heranças culturais e comunicacionais da ditadura civil/militar na Bahia?
O descompasso do proibir: cultura e contracultura na Bahia.
O fechamento do regime provocou uma forte censura às manifestações de artistas,
intelectuais e profissionais da comunicação. Na Bahia, a segunda edição da Bienal Nacional de
Artes Plásticas foi fechada no dia seguinte a sua inauguração, tendo dez das obras
consideradas subversivas, encerrando-se a realização das bienais de artes na Bahia. No final da
década de 1960 surge um movimento que buscou romper com os padrões estabelecidos nas
diversas linguagens culturais, passando a se caracterizar como forma de resistência, e que iria
se consolidar na cultura baiana.

Palestrantes:
Renato da Silveira
Paulo Miguez
Bob Fernandes
Paulo Costa Lima
Luiza Bairros
Marcelo Rezende


Dia 27 (quinta-feira)

9h-12h
Mesa 6. Como foi realizada a transição do autoritarismo para a democracia no Brasil e quais suas
consequências?

Redemocratização no Brasil: uma transição controlada.
A resistência que se ergueu em oposição à ditadura militar, de forma organizada ou não, foi
responsável pelas fissuras e posterior abertura do regime. Porém, a longa transição do
autoritarismo para a democracia no Brasil foi realizada pelo alto, dificultando a tessitura e
consolidação de processos sociais importantes, a exemplo do exercício pleno dos direitos
políticos, civis e sociais, através da participação política atuante da sociedade civil. Por
conseguinte, a instauração do governo civil não significou, necessariamente, uma ruptura com
a antiga ordem, gerando diferentes consequências.

Palestrantes:
João Quartim de Moraes
Luiz Dulci
Renato Afonso
Domingos Leonelli
Jorge Almeida

14h-18h
Mesa 7. Como foi realizada a transição do autoritarismo para a democracia na Bahia e quais suas
consequências?
Distensão na Bahia: a difícil arte do retorno à democracia.A transição do autoritarismo para a democracia na Bahia foi realizada por políticos que
participaram ativamente do regime ditatorial, o que resultou num reforço e prolongamento de
práticas políticas autoritárias no estado, atravancando os caminhos para a democracia.

Palestrantes:
Lídice da Mata
Pery Falcón
Antônio Câmara
Olival Freire
Dia 28 (sexta-feira)


Dia 28 (sexta-feira)


9h – 12h
Mesa 8. Quais os avanços e os limites da democracia no Brasil e na Bahia?
Avanços e limites da democracia no Brasil.
O caminho percorrido pelo processo de democratização no Brasil e na Bahia, em especifico,
mostrou-se longo, gradual e difícil, realizado, via de regra, através de acomodações de velhas e
novas estruturas, o que terminou por não gerar uma ruptura com a antiga ordem. Porém, não
é possível desconsiderar a ampliação da participação política, mas analisar a forma como a
cidadania tem sido construída, buscando perceber os avanços e limites da democracia no
Brasil e na Bahia.

Palestrantes:
João Pedro Stédile
Mary Castro
Emiliano José
Paulo Henrique Almeida
Fernando Pacheco

9. Encerramento, às 21h, na Sala Principal do TCA
Show musical: Banda Baiana System


Outras atividades

10. Mostra de Filmes sobre o período 1964 – 2014. Período: 26 de março a 4 de abril
Locais: Sala Walter da Silveira – Complexo Cultural Biblioteca Pública
Sala Alexandre Robatto – Complexo Cultural Biblioteca Pública
Centros e equipamentos culturais da SECULT, nos Territórios

11. Debates sobre autoritarismo e democracia no Brasil e na Bahia
Locais: Centros e Equipamentos Culturais nos Territórios da Bahia

12. Lançamentos e Feira de livros
Foyer do Teatro Castro Alves ( 24 a 28 de março)

13. Exposição de Fotos – Ditadura na bahiaFoyer do Teatro Castro Alves ( 24 a 28 de março)

14. Homenagens:
O Fórum deve homenagear alguns nomes importantes da ação e do pensamento acerca do
autoritarismo e democracia como:
Ana Montenegro, Alberto Goulart, Carlos Lamarca, Carlos Marighella, Carlos Nelson Coutinho,
Claudio Perani, Florestan Fernandes, Guido Araújo, Jacob Gorender, Mário Alves, Octávio
Ianni, Rolland Shaffner, Rui César, Loreta Valladares, Dom Gerônimo, Dom Timóteo, Ronilda
Noblat, Jonatas Conceição.